Publicado em: 7 de agosto de 2026
Nem toda violência deixa marcas no corpo. Muitas vezes, ela acontece de forma discreta, por meio de palavras, atitudes, manipulações ou até do controle do dinheiro. Por isso, o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, é um momento importante para ampliar o olhar sobre um problema que afeta mulheres de todas as idades.
Ao longo da vida, a violência pode assumir diferentes formas. E, na terceira idade, ela ganha contornos que muitas vezes passam despercebidos, como a exploração financeira e os golpes direcionados às mulheres idosas.
A violência contra a mulher vai muito além da agressão física
Quando pensamos em violência contra a mulher, a imagem mais comum é a da agressão física. No entanto, existem outras formas de violência que também comprometem a liberdade, a dignidade e a qualidade de vida.
A Lei Maria da Penha reconhece cinco principais tipos de violência:
- Violência física: qualquer ação que cause dor ou lesão corporal.
- Violência psicológica: ameaças, humilhações, manipulação, isolamento e controle emocional.
- Violência moral: calúnias, difamações e ofensas à honra.
- Violência sexual: qualquer ato sexual sem consentimento ou imposto por meio de violência, intimidação ou coerção.
- Violência patrimonial: retenção, destruição ou uso indevido de bens, documentos, dinheiro ou recursos financeiros da mulher.
Todas elas deixam consequências profundas e merecem atenção.
A violência também envelhece
Com o passar dos anos, algumas formas de violência tornam-se menos visíveis, mas não deixam de existir.
Mulheres idosas podem enfrentar situações de negligência, abandono, desrespeito e perda da autonomia. Em muitos casos, o agressor não é um desconhecido, mas alguém da própria família ou do círculo de convivência.
Além disso, o crescimento dos golpes financeiros e das fraudes digitais trouxe um novo desafio para essa população. Criminosos aproveitam a confiança, a boa-fé e, muitas vezes, a falta de familiaridade com determinadas tecnologias para aplicar golpes que podem comprometer anos de trabalho e economia.
Quando um golpe também é uma forma de violência
Imagine uma mulher que trabalhou a vida inteira, conquistou sua independência financeira e, de repente, perde suas economias por acreditar na ligação de um falso funcionário do banco ou em uma mensagem enviada por um suposto familiar.
Infelizmente, situações como essas são cada vez mais frequentes.
Entre os golpes mais comuns estão:
- falsas centrais de atendimento bancário;
- mensagens de WhatsApp pedindo transferências urgentes;
- golpe do falso advogado;
- empréstimos realizados sem o pleno conhecimento da vítima;
- troca de cartões durante compras ou atendimentos;
- pedidos de senhas e códigos de confirmação.
Em alguns casos, a exploração financeira acontece dentro da própria família, quando parentes utilizam aposentadorias, pensões ou recursos da mulher idosa sem sua autorização ou exercem pressão para controlar seu patrimônio.
Mais do que um prejuízo financeiro, essas situações representam uma perda de autonomia, segurança e confiança.
Como proteger as mulheres idosas
A prevenção começa pela informação.
Familiares, amigos e cuidadores podem contribuir para a proteção das mulheres idosas com atitudes simples:
- conversar sobre os golpes mais comuns;
- reforçar que bancos nunca solicitam senhas ou códigos por telefone ou mensagens;
- orientar para que nenhuma decisão financeira seja tomada sob pressão ou urgência;
- incentivar que transferências e pagamentos sejam confirmados com familiares de confiança;
- respeitar a autonomia da mulher idosa, oferecendo apoio sem retirar sua independência.
Criar um ambiente de diálogo faz toda a diferença para que ela se sinta segura para pedir ajuda caso desconfie de alguma situação.
Informação também é uma forma de proteção
O Agosto Lilás nos lembra que combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade. Isso significa reconhecer que ela pode acontecer em qualquer fase da vida e assumir diferentes formas, muitas vezes silenciosas.
No caso das mulheres idosas, proteger vai além de evitar quedas ou cuidar da saúde física. É também garantir que elas tenham seus direitos respeitados, mantenham sua autonomia e estejam preparadas para identificar situações de abuso e golpes financeiros.
A informação é uma das ferramentas mais poderosas para prevenir a violência. Compartilhar conhecimento, conversar sobre o assunto e fortalecer as redes de apoio são atitudes que ajudam a construir uma sociedade mais segura, acolhedora e respeitosa para todas as mulheres, em todas as fases da vida.


